Arquidiocese de Braga apresentou espólio do Pe. Manuel Faria Borda

Arquidiocese de Braga apresentou espólio do Pe. Manuel Faria Borda

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Hoje, dia 9 de Fevereiro, foi apresentado no Paço Arquiepiscopal o espólio musical do Pe. Manuel Faria Borda, adquirido recentemente a um alfarrabista. No total, foram recuperados 115 manuscritos, 75 obras completas, 211 obras impressas, 250 partituras impressas e 435 revistas de música sacra.

O Cónego José Paulo Abreu começou por sublinhar que a Arquidiocese de Braga sempre se empenhou na promoção da cultura, dando como exemplo o Instituto de História e Arte Cristã (IHAC), ao qual preside, que apresenta múltiplas valências nesse contexto.

Sobre o Pe. Manuel Faria Borda e outros sacerdotes bracarenses que também se notabilizaram nesta área, o Presidente do IHAC diz existir uma gratidão imensa por parte da Arquidiocese.

“É uma alegria enorme termos conseguido este espólio e a sua divulgação e possibilidade de consulta são também um tributo que estamos a fazer ao Pe. Borda”, sublinhou.

O responsável elogiou ainda a “literacia musical” do povo português, que sabe e canta milhares de cânticos que nasceram a partir de compositores como o Pe. Manuel Faria Borda.

O espólio poderá ser consultado a partir do momento que em que se concretize um projecto há muito sonhado pela Arquidiocese de Braga, com a transferência de instalações do actual arquivo diocesano em conjunto com uma biblioteca.

Coube ao Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, explicar que a obra neste momento se encontra estagnada devido à pandemia e respectivas restrições, mas será para avançar assim que possível.

“Pretendemos recolher todos os documentos que andam dispersos e que correm o risco de serem perdidos. Queremos que o arquivo diocesano não seja um espaço «morto» e que a biblioteca esteja aberta ao público, com todas as condições que a investigação supõe, com um corpo central de serviços. É aqui que queremos reservar um espaço para recolher o espólio de sacerdotes e outras associações que se foram evidenciando em alguma área, como é o caso da música”, informou.

O prelado sublinhou também o “enorme contributo” de alguns sacerdotes bracarenses e corroborou as palavras do Cónego José Paulo Abreu, que apontou a necessidade de uma obra que reúna os talentos destes homens até aos dias de hoje.

O espólio do Pe. Manuel Faria Borda terá estado originalmente nas mãos da família do compositor e só terá sido recuperado depois de um historiador de Esposende se ter apercebido da sua permanência num alfarrabista, tendo então comunicado com a Arquidiocese, que não hesitou em adquirir todo o conjunto.

Vida e Obra

O Pe. Manuel Borda nasceu em São Paio de Fão a 7 de Julho de 1914 e faleceu em Fão a 6 de Março de 1992. Foi compositor e regente de coros.

De acordo com a Meloteca, “o solene Te Deum e o moteto Cantate Domino, executados em 1940, em Braga e em Guimarães, nas comemorações da independência e restauração, impressionaram vivamente Mário de Sampayo Ribeiro, pela «grandiosidade de efeitos conseguidos com uma escassez de recursos». O musicólogo via nas peças «uma compleição musical absolutamente fora do vulgar» e convidava o Pe. Borda a um melhor apetrechamento teórico”.

Aprendeu solfejo e canto gregoriano no Seminário de Braga, indo depois estudar piano, harmonia, contraponto e fuga em Salamanca e no Conservatório de Música do Porto – onde foi aluno do compositor e pianista francês, Lucien Lambert.

Em 1944, fundou os Pequenos Cantores da Imaculada, orfeão infantil do Seminário de Nossa Senhora da Conceição que se apresentou em várias igrejas de Braga e gravou em disco várias obras do seu director.

“Com o objectivo de ajudar os seminaristas a praticarem as orientações do Magistério sobre a música, preparou a colectânea Jubilate: Antologia de Cânticos Religiosos (1957), essencialmente monódica, com números significativos de cânticos gregorianos e compositores do meio bracarense (Manuel Alaio, Lima Torres, Manuel de Faria Borda, Manuel Faria, Manuel Rodrigues de Azevedo, António Domingues Correia), mas incluindo também cânticos de Mário Sampayo Ribeiro, Pascal Piriou, Inacio Aldassoro e Luís Rodrigues”, pode ler-se na Meloteca.

O Pe. Borda trabalhou também com o Coro de Fão, para o qual musicou os salmos responsoriais para as missas de todo o ciclo litúrgico, compondo também outros cânticos religiosos e várias peças orfeónicas inéditas. Integrou a Comissão Bracarense de Música Sacra durante décadas e colaborou assiduamente na Nova Revista de Música Sacra, através de composições para a liturgia renovada pelo Concílio.

Obras Sacras publicadas

  • Marcha catequística. Braga,1946.
  • Florilégio Mariano col. com Manuel Rodrigues de Azevedo. Braga, 1949.
  • Adeus: Cântico para o fim de Maio. Braga, 1951
  • Rosa Mística: Cânticos populares a Nossa Senhora col. para v. e harm. Braga1986/1953.
  • Cânticos de Natal para as Novenas do Menino Jesus col. Braga, 1957.
  • Harpa da Eucaristia col. de cânticos para a missa. Braga, 1957.
  • Hino do Bispo auxiliar de Braga, D. Francisco Maria da Silva. Braga, 1957.
  • Jubilate: Antologia de Cânticos Religiosos compil. de base monódica. Lisboa, União Gráfica, 1957.
  • Pelas almas. 1957.
  • Marcha Catequística para v. e org. Braga, Edição do Secretariado da Catequese,1962.
  • Hino de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Arcebispo Primaz D. Francisco Maria da Silva para v. e org. Braga: Tipografia Editorial Franciscana, 1964.
  • Hino dos mártires do Brasil. Braga, Edição do Pe A. Santiago, 1965.
  • Missa em Honra de Santa Luzia. Braga, 1966.
  • Missa em honra de São Bento. Braga, Editorial Franciscana, 1972.
  • Cânticos para as celebrações litúrgicas col. de cânticos a 2 v. i., e 3 e 4 v. m. com acomp. de org. ou harm. Braga, 1984.
  • Florilégio Eucarístico (col.).
  • António José Ferreira
Fonte: Arquidiocese de Braga

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