Hernâni Zão Oliveira, investigador da Universidade do Porto e coordenador de um projeto de Oncologia reconhecido como um dos 5 melhores a nível mundial

Hernâni Zão Oliveira, investigador da Universidade do Porto e coordenador de um projeto de Oncologia reconhecido como um dos 5 melhores a nível mundial

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O HOPE PROJECT, iniciativa Portuguesa que integra um videojogo que promove a atividade física em crianças com cancro, é um dos cinco finalistas do Astellas Oncology
C3 Prize. O concurso internacional é promovido pela multinacional Astellas Pharma em parceria com Robert Herjavec, reconhecido investidor do programa de televisão Shark
Tank. O projeto Português disputará a final durante o World Cancer Leaders’ Summit, dia 13 de Novembro, no México.
Nascido de uma parceria entre a Universidade do Porto, o Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil do Porto e a start-up de comunicação em saúde BRIGHT, o projeto Português
conseguiu garantir um lugar no top 5 da segunda edição do Astellas Oncology C3 Prize. Mais de 160 projetos oriundos de 21 países foram submetidos a este concurso, que pretende
distinguir projetos de base tecnológica que promovam o bem-estar de doentes com cancro e dos seus cuidadores. Dois projetos dos Estados Unidos da América, um da Irlanda e uma outra
solução da Bélgica completam o grupo de finalistas.
As ideias integrantes do top 5 irão ser apresentadas na Cidade do México, a 13 de Novembro, na conferência anual da União Internacional para o Controlo do Cancro, a World Cancer
Leaders’ Summit. Ao vencedor será atribuída uma bolsa no valor de 50 mil dólares, e ainda terá direito a uma sessão de consultoria com o empreendedor em tecnologia Robert Herjavec,
júri do programa de televisão Shark Tank. As restantes quatro ideias irão receber bolsas no valor de 12.500 dólares, e todos os cinco finalistas terão direito a serem membros durante um
ano da MATTER, uma comunidade de inovação nos cuidados de saúde, para que possam dar vida às suas ideias.
“A qualidade das submissões para a competição Astellas Oncology C3 Prize demonstra a filosofia inerente à Astellas Pharma para evidenciar a genialidade coletiva das pessoas em todo
o mundo para gerar inovação”, afirma Robert Herjavec, reconhecido empreendedor tecnológico que foi também cuidador durante a progressão da doença oncológica da sua mãe. “Cada uma
das ideias finalistas tem o potencial de dar um grande contributo para a inovação dos produtos não terapêuticos que auxiliem o tratamento do cancro”, refere o investidor.

Para Hernâni Zão Oliveira, estudante de doutoramento da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e investigador responsável pelo PROJETO HOPE, “este é um
importante reconhecimento para divulgar nacional e internacionalmente o potencial Português no desenvolvimento de projetos multidisciplinares na área da Inovação em Literacia em Saúde,
um campo ainda recente de estudo, mas altamente pertinente”.
Finalista dos concursos “The Next Big Idea” e do “Prémio Nacional Indústrias Criativas”, o projeto de oncologia pediátrica foi uma das ideias que deu origem ao desenvolvimento do
primeiro laboratório Português focado na Literacia em Saúde, o LACLIS – Laboratório de Criação em Saúde, sediado no Media Innovation Labs, o Centro de Competências para os
Media da Universidade do Porto.

Sobre o PROJETO HOPE
O PROJETO HOPE nasce para responder de forma eficaz a dois problemas existentes em crianças internadas com uma doença oncológica: a ansiedade e o elevado sedentarismo
associados à hospitalização. Por forma a promover a disponibilidade física e emocional para os tratamentos, duas ferramentas complementares foram concebidas para auxiliar a criança
doente e os seus cuidadores mais diretos.
O videojogo para as crianças O primeiro produto – um videojogo em 2D para tablets e smartphones – foi desenvolvido com o intuito de promover o conhecimento sobre a doença e a atividade física para crianças entre os 6 e os 10 anos. O videojogo incorpora uma dimensão de jogo sério, que permite ensinar tópicos sobre o cancro através de ferramentas normalmente associadas ao entretenimento. Os desafios propostos durante o jogo são ultrapassados através de tecnologia que permite o exergaming (prática de exercício físico durante um jogo virtual), utilizando a câmara frontal dos dispositivos móveis. Toda a narrativa e design deste jogo foram pensados para cruzar a perspetiva realista da doença oncológica, com base em fotorreportagens dos espaços
hospitalares, com o mundo fantástico, onde os principais medos da criança se transformam em
superpoderes da sua personagem.
A aplicação móvel para os pais e cuidadores Tendo em conta as constantes dúvidas e preocupações, também uma aplicação móvel foi pensada para acompanhar os pais e cuidadores durante todo o processo de tratamento da criança. A informação contida na app foi trabalhada com técnicas de infografia para tornar mais clara a complexidade científica associada aos procedimentos oncológicos. A mesma narrativa utilizada no videojogo foi também aplicada nesta aplicação, para que os pais pudessem utilizar as mesmas metáforas explicativas para dialogarem com a criança sobre a doença sempre que necessário.
Sobre o LACLIS
O LACLIS, Laboratório de Criação para a Literacia em Saúde, pretende afirmar-se enquanto estrutura dinâmica multidisciplinar que reúne as condições necessárias para desenvolver,
implementar e avaliar programas de educação e promoção de saúde sustentáveis. As suas valências procuram responder às necessidades específicas das populações a que se destinam, e o
seu propósito principal passa por incorporar os resultados alcançados nas práticas dos profissionais que tenham um papel fulcral na produção e/ou disseminação de informação sobre saúde. Entende- se que esta poderá ser uma estratégia eficaz para responder aos níveis inadequados de Literacia em Saúde existentes na população Portuguesa.
Este laboratório tem como objectivos específicos desenvolver investigação, criar produtos de informação e comunicação e promover formação em áreas de conhecimento distintas relacionadas
com a saúde. Na sua constituição estão investigadores da Faculdade de Letras, Faculdade de Engenharia, Faculdade de Medicina, Faculdade de Desporto, Faculdade de Belas-Artes, Faculdade
de Psicologia e Ciências da Educação e Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e dos laboratórios associados I3S e INESC TEC.

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