Estátua Menir de S. Bartolomeu do Mar estudada pela Universidade do Minho

Estátua Menir de S. Bartolomeu do Mar estudada pela Universidade do Minho

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Investigadores propõem a criação do Centro Intrepretativo da Idade do Bronze

O MENIR ou “Estátua Menir” de Mar foi objeto de um profundo e meticuloso estudo por parte de uma equipa de arqueólogos da Universidade do Minho, liderados pelos Professores Ana Bettencourt e Manuel Estévez.

Os resultados e conclusões do estudo arqueológico e das escavações da Estátua Menir, situada a nascente da Igreja Paroquial, localizada no Pedrão e levadas a cabo em junho passado foram apresentados no dia 20 de outubro, na sede da Junta, em Mar. Na ocasião, Ana Bettencourt, da Universidade do Minho, em Braga, proferiu a palestra “A Estátua Menir do Pedrão no contexto da Idade do Bronze no Litoral de Esposende”.

Aquela docente começou por explicar o termo “Estátua Menir” diferenciando-o de “Menir”. Assim, a designação mais correta é “Estátua Menir” já que se trata de um bloco de pedra erguido na vertical, mais ou menos trabalhado que sugere uma figura humana para ser vista de todos os lados. Referiu que há “vários no litoral norte  e na Galiza” e muitos pela Europa, sendo, por isso, um “fenómeno europeu”. São monumentos da pré história e situam-se entre 4000 a 3000 anos do presente (=2000/1000 a.C.). Por outro lado, estes monumentos representam “algo muito importante para a comunidade”, ou alguém “para ser lembrado para sempre” e transmite uma “mensagem duradoura”. Neste sentido, ou são “representações ancestrais”, isto é representam pessoas do passado, antigas, que contém os seus atributos e características; ou são “representações dos fundadores das tribos”, com os seus atributos; ou, ainda, são “representações de heróis ou de chefes tribais”, sendo, assim, sítios “venerados”, onde ocorrem oferendas e cerimónias.

Concretamente, a “Estátua Menir”, foi ‘escavada’ a partir de quatro quadrados à volta do Menir para se “perceber se estava no seu sítio original”, ou se já tinha sido mudada de local; simultaneamente, interessava saber se na sua base tinham sido realizadas algumas cerimónias. Por fim, aproveitou-se a ocasião para se proceder a uma limpeza da pedra que continha muitos fungos.

Assim, segundo os estudiosos, verificou-se que o Menir “foi mexido no século XX”, isto é, foi alterada a sua localização original. Por outro lado, esta situação “foi importante porque se percebeu como era feito na parte do fundo”, do enterramento. Concluiu-se, também, que o material usado, a pedra, é “granito local”.

Nos aspetos técnicos concluiu-se que a estátua “é para ser vista de todos os lados”; que foi objeto de trabalho humano já que é “martelada com instrumentos de pedra, para dar a feição de ombro; que é “polida” e surge “gravada com várias covas”.

Quanto aos aspetos formais, registou-se que “tinha cabeça, que foi partida”, os “ombros afeiçoados” e a base de enterramento é “arredondada”, ou seja, “afeiçoada para ser enterrada”.

Já quanto aos aspetos decorativos, a “Estátua Menir” surge “gravada com covinhas em três faces”; “gravada com sulcos” pelo menos na área dos ombros, e, possivelmente fora pintada.

Quanto à sua cronologia, os arqueólogos classificam-na na “idade do bronze” entre 1900 e 1300 a.C.” ou entre 3900 e 3300, do presente.

Por fim, também foram assinaladas as perturbações ou ações de vandalismo que a mesma tem vindo a sofrer ao longo do tempo, nomeadamente: a cabeça partida, a alteração da sua localização original, e o facto de ter sido picada, no séc. XX, em várias faces o que provocou a destruição das gravuras pouco profundas e, ainda, o facto de ter sido pintada com óleo queimado, num período ainda recente, como o demonstrou a quantidade de óleo que a terra manifestou.

Apesar da “Estátua Menir” não se encontrar no local primitivo, também é certo que o seu local “será por ali”, mais metro menos metro…até porque nas escavações foram encontrados dois pesos de rede pré históricos.

Ora, toda esta zona era “muito ocupada” como o demonstram os vários locais de enterramento. Assim, esta “Estátua Menir” localiza-se numa zona geoestratégica: de passagem entre norte e sul, de interior para o exterior, e do mar para o monte e, ao mesmo tempo, de encruzilhada. Por isso, são várias as hipóteses desta “Estátua Menir”: seria “um lugar de encontro”, dos que aqui viviam, dos que navegavam junto da costa e dos que vinham de fora para negociar sobretudo o sal, produto fundamental e altamente precioso para a época e motivo de fixação de muita gente, bem como o estanho, produto existente apenas no norte e noroeste de Portugal e na Galiza. Marcava, ainda, o território ou a identidade da comunidade; seria a representação de um chefe ou antepassado que unia as populações de cá e de fora. No fundo, esta “Estátua Menir” apresenta uma “grande história”, já que “marca o território local”; é “ponto de encontro de quem vem de fora”; é um “local de negócio e de oferendas”; e “marca a identidade da população”.

E como prevenir é defender o património, a equipa de investigadores apontou medidas para o futuro, a saber, que a “Estátua Menir” devia ser mudada “para um campo aberto” e não ficar amarfanhada pelas construções existentes no local; melhorar a sinalética da mesma, já que a atual “é baixa e pouco impositiva” e, ainda, conter informação em várias línguas. Por fim, foi sugerido que se criasse um Centro Interpretativo da Idade do Bronze.

Colaborador:  Sampaio Azevedo

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