Esposende debate “Os desafios do acolhimento residencial de crianças e jovens”

Esposende debate “Os desafios do acolhimento residencial de crianças e jovens”

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Em Esposende debate-se, hoje e amanhã, “Os desafios do acolhimento residencial de crianças e jovens: a necessidade de uma intencionalidade terapêutica do acolhimento vs. as novas exigências para quem cuida”, num seminário promovido, no âmbito da Rede Social de Esposende, pela ASCRA – Associação Social Cultural e Recreativa de Apúlia, em parceria com a Câmara Municipal de Esposende e com o apoio do Núcleo de Infância e Juventude do Centro Distrital da Segurança Social de Braga.

Direcionado para profissionais ligados ao Sistema de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens em Risco, este evento proporcionará a reflexão em torno do acolhimento residencial e sobre as implicações para a sua prática profissional.

Na sessão de abertura, a Vice-Presidente da Câmara Municipal e Presidente da CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) de Esposende, Alexandra Roeger, destacou a relevância deste seminário enquanto oportunidade para, com o contributo de investigadores e especialistas, debater as mudanças e outras perspetivas de intervenção, com vista a qualificar cada vez mais esta resposta social e que contribuam efetivamente para o bem-estar, autonomia, valorização e desenvolvimento pessoal das crianças/jovens.

Alexandra Roeger aproveitou a oportunidade para referenciar o trabalho abrangente que tem vindo a ser desenvolvido no plano da Coesão Social pelo Município de Esposende e que contempla as várias franjas da população. Salientou que são projetos sustentados tecnicamente, devidamente enquadrados no Plano Estratégico para a Coesão Social e desenvolvidos ao abrigo da Rede Social de Esposende, enaltecendo, a propósito, a parceria entre as várias entidades e instituições envolvidas.

Também o Diretor do Centro Distrital de Braga do Instituto de Segurança Social, João Ferreira, sublinhou a pertinência do debate da temática do acolhimento residencial de crianças e jovens face aos desafios atuais e futuros. João Ferreira deu nota de que o distrito de Braga dispõe de 24 infraestruturas de acolhimentos residencial, sendo que 9 são centros de acolhimento temporário e 15 são lares de infância e juventude, com capacidade para 629 vagas, dando, assim, cabal resposta às solicitações deste território, contabilizando-se ainda 25 famílias de acolhimento, através da Associação Mundos de Vida.

Aludindo às mudanças ocorridas ao nível do acolhimento residencial, o Diretor do Centro Distrital de Braga do Instituto de Segurança Social afirmou que um dos desafios passa pela qualificação, que “deverá ser conjugada com a intencionalidade terapêutica e a exigência de quem cuida”.

Na qualidade de Presidente da Direção, João Figueiredo, referiu que a ASCRA foi fundada em 1990, sendo uma IPSS (Instituição Particular de Segurança Social), com sede em Apúlia. Como respostas sociais possui creche, jardim-de-infância, centro de atividades de tempos livres, centro de dia e serviço de apoio domiciliário. Em 2003, a instituição abraçou um novo desafio, com uma nova resposta social vocacionada ao acolhimento residencial – Centro de Acolhimento Temporário Emília Figueiredo. Desde o início da intervenção desta casa de acolhimento foram trabalhados 175 processos de promoção e proteção, acompanhando as crianças e jovens em risco, bem como as suas famílias, e definindo para todos projetos de vida securizantes e adequados às suas necessidades. João Figueiredo notou que este é o único centro de acolhimento temporário do concelho, pelo que este seminário se afigura da maior importância, tendo mesmo superado as expetativas em termos de adesão. Concluiu, expressando o desejo de que este evento propicie a angariação de conhecimentos que possam contribuir para o desenvolvimento de um trabalho mais profícuo.

Num primeiro painel, foi debatido “O retrato atual da promoção e proteção: a representatividade da medida de acolhimento residencial e o atual perfil dos acolhidos”, por Dulce Couto, Secretária da CPCJ de Esposende, e Vasco Oliveira, Psicólogo dos Serviços Centrais do Instituto da Segurança Social, com moderação da Vereadora da Coesão Social e Presidente da CPCJ de Esposende.

Ainda no período da manhã, debateu-se “A medida de Acolhimento Residencial de crianças e jovens: necessidades de intervenção”, com Rui Godinho, Psicólogo, Diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e Laura Magalhães, Psicóloga, Investigadora do CIEC – Centro de Investigação em Estudos da Criança, da Universidade do Minho. O painel teve moderação de Elisabete Vinha, Diretora Técnica do Centro de Acolhimento Temporário Emília Figueiredo da ASCRA.

Já no período da tarde, às 14h30, sob a moderação de Amélia Viana, Diretora da ASCRA, decorrerá o painel “A missão dos profissionais das casas de acolhimento: os novos desafios para quem cuida”, tendo como intervenientes Mariana Negrão, Investigadora e Docente na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica do Porto, e António Santinha, Diretor da Unidade de Apoio à Autonomização da Direção de Infância e Juventude da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.

Amanhã, dia 28, os trabalhos decorrerão na Casa da Juventude, iniciando-se às 9h00, com o Workshop “Cuidar de quem cuida”, a cargo de Sandra Afonso, Educadora Social na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Formadora na área do acolhimento residencial.

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